Lançamento de Livros no XI Encontro da Sociedade EPTICC
O XI Encontro da Sociedade EPTICC incluirá em sua programação a sessão de lançamento de livros. São doze obras publicadas entre 2024 e 2026 por pesquisadores vinculados ao campo da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura, abordando temas como inteligência artificial, plataformas digitais, desinformação, jornalismo, trabalho midiático e soberania informacional.
Confira os títulos:
Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura: interpretando o mundo para transformá-lo, de Rafaela Martins de Souza e Rodrigo Moreno Marques (organizadores)
Sociedade EPTICC, 2026.
A obra reúne textos apresentados no X Encontro da Sociedade de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPTICC), realizado em 2024, em São Cristóvão (SE). Os textos reunidos nesse livro abordam diversos temas que são analisados por meio das lentes da economia política como, por exemplo, comunicação popular e comunitária; jornalismo e trabalho jornalístico; meios de comunicação de massa; mercados culturais; agências de comunicação; relações de trabalho, educação e mediação; regime de informação e lutas de classes; programas policialescos e desinformação.
Economia Política da Comunicação, da Cultura e da Informação, de Eula Dantas Taveira Cabral (organizadora)
Meus Ritmos Editora, 2025
A obra reúne análises sobre as dinâmicas contemporâneas que atravessam as políticas comunicacionais, culturais e informacionais, com ênfase nos desafios da regulação, da democratização e da soberania em um cenário marcado pela plataformização. Liderado por Eula Dantas Taveira Cabral, o e-book resulta do trabalho de 35 pesquisadores vinculados a cinco grupos de pesquisa da Economia Política da Comunicação e da Informação reconhecidos pelo CNPq, configurando-se como uma produção coletiva no campo. Organizada em cinco partes e composta por 29 artigos, a obra apresenta o contexto brasileiro em diálogo com dinâmicas internacionais, ao reunir textos em português e inglês sobre cultura digital, plataformas, desinformação, inteligência artificial, meio ambiente, jornalismo, religião e sistemas informacionais. O livro contribui para a Economia Política da Comunicação ao sistematizar pesquisas empíricas e teóricas sobre a organização dos mercados, os processos de regulação e as disputas por controle e circulação da informação, ampliando o debate sobre as transformações contemporâneas do setor.
Máquinas aprendizes; humanos atarefados. Inteligência artificial e trabalho alienado no “capital informação”, de Nahema Nascimento Falleiros Barra de Oliveira
Editora Dialética, 2025
Neste livro sobre máquinas aprendizes e humanos atarefados, dedicamo-nos ao Isma do desenvolvimento das forças produtivas na nova indústria da inteligência artificial, problematizando a profecia autorrealizável e a retórica emocional segundo as quais suas inovações mais recentes eliminariam todo e/ou qualquer trabalho vivo. Como revela a análise do processo de trabalho nesta indústria, baseada em algoritmos estatísticos de uso extensivo de dados tratados via plataformas de micro-tarefas, o capital-informação tende a um duplo movimento (contraditório e combinado) de subsunção real do trabalho digital ou informacional tanto em sua forma aleatória, i.e., predominantemente criativa, quanto em sua forma redundante, i.e. predominantemente repetitiva. Isto porque a produção de componentes lógicos (software) nesta indústria depende tanto do trabalho vivo criativo e bem remunerado de quem concebe, nos centros geográficos do capitalismo, os extensos conjuntos de dados tratados e os algoritmos estatísticos da inteligência artificial, quanto do trabalho vivo repetitivo e mal remunerado de quem, das periferias geográficas deste sistema econômico, faz a coleta, a classificação, o armazenamento, a recuperação e a disseminação destes dados.
A batalha do engajamento: Crítica a partir da hegemonia e da Economia Política da Comunicação (EPC), de Pablo Nabarrete Bastos
Editora Expressão Popular, 2026
Este livro, escrito por Pablo Nabarrete Bastos, realiza uma crítica ao conceito de engajamento a partir do marxismo, articulando fundamentalmente estudos sobre hegemonia e da tradição brasileira da Economia Política da Comunicação (EPC), que propiciam discutir as noções positiva e negativa da categoria, buscando em seguida uma síntese dialética (https://expressaopopular.com.br/clube-da-expressao/).
Relatório das Transmissões de Futebóis, de Amanda Trovó, Anderson David Gomes dos Santos, Iago Vernek Fernandes e Alicia Soares (organizadores)
Paco Editorial, 2026
Até pouco tempo atrás, procurávamos saber quem transmitiria determinado torneio. Hoje, a pergunta é: quem vai exibir dado jogo? Isso mobiliza buscas na internet e questionamentos sobre como baixar determinado aplicativo ou acessar algum deles pela TV conectada. Para descrever e analisar este cenário nos diversos campeonatos de futebóis profissionais mostrados no Brasil, o Relatório das Transmissões de Futebóis de 2025 representa a segunda publicação coletiva do Observatório das Transmissões de Futebóis, parceria do grupo CEPCOM/Ufal com o coletivo Intervozes. Esta edição chega às leitoras e aos leitores após diversos desafios de ordem estrutural e metodológica ao longo do ano anterior, mas com maior acurácia sobre os dados referentes ao ano de 2025, além de algumas novidades que devem auxiliar pesquisadoras e pesquisadores que se interessam em estudar o tema.
Rede Globo: Convergência e 60 anos de poder e hegemonia, de Anderson David Gomes dos Santos e César Ricardo Siqueira Bolaño
Dialética, 2026
Este livro atualiza discussões e produções do subcampo da Economia Política da Comunicação que tem o Grupo Globo como observável, pois este é um agente relevante para a produção audiovisual no Brasil. Os capítulos desta obra tratam da estrutura concorrencial e das estratégias da Globo quanto aos modelos distintos de produção, distribuição e consumo de audiovisual que se direcionam a partir da convergência midiática entre radiodifusão, telecomunicações e informática. Além disso, atualiza discussões realizadas em Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia, publicado em 2005 por Valério Brittos e César Bolaño, que virou referência relevante para compreender a constituição do principal veículo de comunicação do Brasil.
A governança econômica das plataformas digitais no Brasil, de Helena Martins e João Paulo Guimarães
OBSCOM, 2026
O relatório analisa a governança econômica das plataformas digitais no Brasil sob a ótica da Economia Política da Comunicação. O documento explora as trajetórias tecnológicas nacionais que levaram ao fenômeno da plataformização, detalhando a dependência histórica do país e sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho. A análise abrange a concorrência em 14 mercados distintos, divididos entre infraestrutura básica (como cabos submarinos e centros de dados) e mercados de aplicações e conteúdos (incluindo redes sociais, computação em nuvem e publicidade online). Por fim, o trabalho discute o cenário atual da governança da internet no Brasil e avalia propostas de regulação econômica destinadas a mitigar a concentração de mercado e a garantir os direitos dos usuários frente ao avanço das chamadas Big Techs.
A governança econômica das plataformas digitais no Estados Unidos, de Ezequiel Rivero
OBSCOM, 2025
O relatório sobre os Estados Unidos reconstrói o desenvolvimento histórico da internet no país — desde suas origens militares até sua privatização e massificação — e mapeia em detalhe as diferentes camadas da economia digital norte-americana: infraestrutura básica, serviços de aplicações e conteúdos, e os marcos regulatórios e antitruste que, especialmente a partir de 2020, passaram a questionar o poder acumulado pelas grandes corporações tecnológicas.
Políticas de plataformas y mercados digitales en Argentina, de Ezequiel Rivero
OBSCOM, 2025
O relatório sobre a Argentina, por sua vez, adota uma perspectiva de economia política da comunicação para examinar como a expansão das plataformas globais se articula com trajetórias históricas locais de privatização, concentração e convergência nos setores de telecomunicações e meios de comunicação. O trabalho analisa a estrutura oligopólica do ecossistema digital argentino, as iniciativas de infraestrutura pública como a Rede Federal de Fibra Óptica (REFEFO) e o centro de dados de ARSAT, e o campo fragmentado das políticas de plataformas no país, marcado por respostas reativas e baixa capacidade para avançar em marcos regulatórios integrais.
Fascismo Zumbi. Desinformação, mídias sociais, inteligência artificial e outras histórias de terror do nosso tempo, de Marco Schneider
Garamond, 2025
O livro analisa nexos entre a colonização da internet por corporações dos EUA e a emergência do neofascismo. Discute os fenômenos correlatos da desinformação, das mídias sociais, das teorias conspiratórias e das guerras culturais. Denuncia a simbiose entre neoliberalismo e neofascismo. Tece a crítica à própria noção de inteligência artificial, como um eufemismo para a subsunção do trabalho intelectual ao capital, e a seus danos socioambientais. Dialoga com Ernst Bloch, visando diagnosticar melhor a época e contribuir para a atualização de seu potencial libertário.
60 Anos do Golpe | 50 Anos da Revolução: Democracia em disputa em Brasil e Portugal, de André Vianna Dantas, Cátia Guimarães e Manuel Loff (Orgs.)
EPSJV/Fiocruz e Expressão Popular, 2025
A coletânea reúne 12 artigos de 14 pesquisadores brasileiros e portugueses que tomam como marco o quinquagésimo aniversário da Revolução dos Cravos, que encerrou o salazarismo em Portugal, e o sexagésimo aniversário do golpe empresarial-militar que instaurou a ditadura no Brasil. Com 483 páginas, a obra busca atualizar o debate sobre a democracia a partir de uma perspectiva histórica e comparada, interrogando suas condições de possibilidade, seus limites e as ameaças que enfrenta na fase atual do capitalismo. Organizada em três blocos temáticos, a publicação parte do debate sobre os limites da democracia liberal, anunciando e tematizando a crise de hegemonia burguesa contemporânea, marcada pela ascensão da extrema direita e a ameaça do fascismo. O segundo bloco desvenda as estratégias de construção de memórias e concepções de mundo que, por estratégias variadas, entre ela a Comunicação, no passado e no presente, ora reforçam uma democracia limitada, ora ameaçam mesmo as frágeis expressões da democracia realmente existente. Por fim, a última seção analisa as contradições desses arranjos institucionais, em ambos os países, a partir da concretude das políticas públicas desenvolvidas nos campos do Trabalho, da Educação e da Saúde.
Economia Política da Internet Vol. 4: A Economia das Plataformas Digitais e a Questão Democrática, de César Bolaño e Helena Martins (Orgs.)
Editora UFS, 2025
Este quarto volume da série analisa a centralidade das redes digitais e o impacto da concentração de mercado das grandes corporações tecnológicas na esfera política e no debate público contemporâneo. Sob a perspectiva teórica da Economia Política da Comunicação, a obra explora as novas estruturas de mediação social controladas transnacionalmente, discutindo temas como regulação, soberania, geopolítica das plataformas e os desafios impostos pela distribuição algorítmica e pela economia de dados aos direitos dos usuários e à manutenção das democracias.